segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Que tipo de atividades didáticas trazem á tona com mais força as questões identitárias na sala de aula?

A sala de português para estrangeiros tem como principal diferença das outras existir sobre uma cultura em que o aluno é um informante tão ou mais em potencial do que o próprio professor. Esta característica que, a primeira vista, soa tão discreta faz com que qualquer atividade lá pratica tome rumos completamente diversos do que esperaríamos em uma sala tida como padrão. O aluno não é movido a falar por intervenção obrigatória do professor. Nessas aulas ele se manifesta pelo simples desejo de apresentar-se como um integrante, mesmo que não total, daquela nova sociedade a que habita. O estrangeiro quer, por meio da nova língua, poder mostrar e apresentar ele e conseqüentemente os valores de seu país para sua nova 'sociedade'. 
                Dessa forma, a matéria em estudo, no caso a língua portuguesa, não é um objeto estático, distante dos que a estudam, mas é viva, é um instrumento de uso constante e que se torna essencial até para as tarefas mais simples do cotidiano. Esse talvez seja o grande ponto que faça o aluno manter-se animado e disposto a aprender.
Ao meu ver, qualquer atividade que possua algum intuito comunicativo expressivo nas salas de  português para estrangeiro trazem a tona valores culturais inertes aos integrantes da comunicação. Claro que a força com que essa interação identitária pode ocorrer é bastante variada. Ela se expressa, na maior parte do caso, quando o aluno é chamado para opinar: seja a respeito da visão que possui sobre um comportamento tido como típico do novo país em que habita ou até mesmo sobre conceitos formais semelhantes e/ou diferentes daqueles tidos como padrões em sua língua materna.
É bem provável que as atividades didáticas não tragam em si um certificado de validade quando se deseja explorar questões que acabam sendo tão pessoais ao aluno, mas sim a capacidade do professor/tutor em orientar e administrar os intervalos de fala entre os seus aprendizes que implicara de forma imediata no comportamento desses. Trata-se aqui de uma ‘pseudoliberdade’ em que, atento as contribuições dos demais participantes para aquela discussão, o professor, movido pela sua força institucional, possa coordenar as colaborações de cada um, levando de forma homogênea todos se expressarem e fazerem da aula um local de descobertas e aprendizagens. 
                                                                                                                                           Lucas Rezende Almeida
                                                                                     

Um comentário:

  1. Lucas, você acompanhou inúmeras aulas de PLE e já teve a experiência de lecionar em sistema de atendimento individual. Como você pode descrever as relações entre os alunos na sala de aula? Dá para dizer que o trabalho como professor com um só aluno é diferente do trabalho com um grupo? Em que constitui essa diferença?

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