Inaugurando minha postagem aqui, decidi falar um pouco sobre um dos pontos que mais me intriga e me encanta na sala de PLE, a pluralidade cultural. O breve texto que escrevo é um comentário a partir do que ficou para mim dos textos teóricos lidos juntamente com as curtas observações dentro da sala de aula de PLE. Tenho como base as aulas de PLE ministradas na Faculdade de Letras da UFJF, onde os alunos são intercambistas vindos de diferentes partes do mundo, de culturas e costumes que por vezes se chocam.
Ao optar por dar aulas de português para estrangeiros o professor deve estar ciente da pluralidade cultural que pode, e na maioria das vezes haverá na sala de aula: alunos de nacionalidades distintas com seus hábitos já cristalizados, suas identidades já construídas, tudo isto constrastando com novas ideias e novos costumes que fazem parte da cultura brasileira.
O desafio é saber lidar com as várias visões de mundo que os alunos trazem, as divergências de opiniões que ocorrerão quando estamos entre nacionalidades distintas, os ideais polêmicos de cada canto do mundo como religião, política e moda.
O trabalho do professor não fica restrito ao ensino de gramática ou da língua falada, mas também é seu papel apresentar ao aluno estrangeiro a cultura na qual ele está inserido no momento, de modo que se torne mais confortável ao aluno a convivência no novo país. Neste momento aparecem as aulas interativas, onde a participação oral do aluno é essencial.
Para que ocorra essa interação é necessário que o aluno sinta-se a vontade, mas como conseguir essa confiança do aluno?
Acredito que haja muita diferença entre os mais tímidos e os mais extrovertidos, entre colombianos, americanos e japoneses. Cada um já carrega com si a hora exata de falar e o que isso representa. Não será possível mudar seus hábitos, e tentar fazer isso seria um tipo de “violação cultural”, um enorme desrespeito em minha opinião.
A solução é levar para sala de aula discussões sobre diversos tópicos, direcionar perguntas aos mais tímidos, deixar que os extrovertidos falem, e ter discernimento no momento em que se deve interromper ou mudar o tópico do assunto, a fim de que os próprios alunos não ofendam um a cultura do outro. Lembrando que o professor deve ter sempre em mente que ele é exemplo de comportamento para seus alunos, portanto também deve ficar atento para não acabar menosprezando alguma outra cultura.
Talvez não haja fórmulas de como um professor deva se comportar, principalmente levando em conta que os planos de aula são mutáveis, uma vez que lidamos com pessoas de temperamento e ideias variáveis, mas o bom senso é sempre de grande valor.
Moema Corrêa Storani
Moema, concordo com você - bom senso é fundamental. Mas você consegue ver, além disso, algum tipo de padrão seguido por professores (nem precisa ser de língua estrangeiras) na sua atuação na sala de aula, face à necessidade de fazer o aluno participar das atividades?
ResponderExcluirVejo sim.
ResponderExcluirAcho que a direcionalização do discurso para um único aluno, como perguntas diretas citando ou não o nome, é um dos modos mais usados pra conseguir atenção e fazer que esse aluno participe. Tem ainda a movimentação corporal e a troca de olhares, uma forma mais indireta de fazer o aluno perceber que chegou o turno dele.
E, antes disso tudo, a preparação da aula deve instigar o aluno, deixar ele no mínimo curioso sobre o que virá. Esta última "tática" nem sempre é possível devido a matéria a ser apresentada e levando em conta o fato de que o que interessa a alguns pode nao interessar a outros.
Era isso?
Moema, você estaria interessada, nesse semestre em observar com mais atenção essa questão de como o professor convida o aluno a falar? A ideia seria observar quais estratégias o professor usa e quando isso ocorre. O que acha?
ResponderExcluirPreciso de ler mais pra saber identificar melhor isso, mas a ideia é boa!
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