Kanji em recortes
1. Introdução
1.1A imagem de Kanji
A fala sempre foi a maneira mais usada para o ser humano se expressar seja diante da sua subjetividade ou ao seu olhar para o mundo. Inevitavelmente analisá-la se torna uma tarefa tanto quanto complexa e também pessoal para aquele que se coloca a frente desse interesse.
Através da analise da fita 1 que foi intitulada como “Falando de violência”, percebemos o quão instigante a produção oral pode nos ser aproveitada para avaliarmos a identidade de cada aluno, como um produtor constante de pensamentos que se organiza por meio desse eixo sintagmático que é a fala (SAUSSURE, Fernand).
Focaremos nossos estudos em um único aluno, intitulado como Kanji. Tentaremos por meio de um diagnostico fragmentado constituir a imagem que esse projeta de si mesmo usando como canal de comunicação um outro idioma, o português.
Levantaremos a principio hipóteses feitas a partir de uma leitura completa do texto, para após, com um olhar mais atento, averiguarmos suas validades. Hipóteses essas expostas em tópicos abaixos.
- Kanji se mostra um aluno disposto a aprender novas habilidades linguísticas
- Kanji aceita os reparos, entendendo que esses possuem como intuito melhorar sua capacidade comunicativa.
- Kanji se torna o locutor ratificado muitas vezes através da auto seleção.
- Kanji faz reparos ao seu texto para deixá-lo o mais compreensível possível.
- Kanji responde a todas as perguntas sugeridas pela professora, procurando, dessa forma expressar o máximo de sua subjetividade nelas.
2. Desenvolvimento
Analisaremos Kanji, portanto em quatro perspectivas. Essas serão: as suas participações auto selecionadas dentro da sala, as tentativas mal sucedidas de sua participação, suas produções narrativas orais e por fim suas manifestações diante do conhecimento vocabular da língua brasileira.
2.1 Auto seleção
O processo de auto seleção de um aluno é uma tentativa desse de mostrar de alguma forma a sua posição diante do processo de aprendizado, seja para que ele expresse dúvidas, comentários, opiniões ou criticas quanto ao que é ensinado. A partir deste preceito vamos configurar como ocorre esse processo mediado pelo nosso aluno alvo, Kanji.
Kanji é um aluno disposto a selecionar-se sempre que possível e atento a todas as interações que ocorrem dentro da sala, manifestando-se desde o inicio do registro da fita. A professora, inicialmente, inicia uma conversa com o câmeraman em que esse relata o incômodo no olho, provocado pela máquina. Observe o comentário da professora após dita reclamação.
7 | Diane | eu falei com você, Laís. eu acho que vai ter que ter revezamento de cameraman aqui nesse negócio. meu orientador não sabe, eu vou ter que explicar pra ele que não é tão simples quanto ele imagina. entendeu? ele falou que ele mesmo nunca fez isso não, sabe? que ele tá achando bom que alguém vai fazer, mas ele mesmo nunca tentou. então... é tarde. |
8 | Kanji | ? porque parado não pode. |
Kanji compreende todas as falas durante o período da aula. Aqui, ele toma o turno e se auto seleciona através de uma dúvida de um diálogo do qual ele não era previsto como um possível próximo falante.
A seguir, a professora inicia a aula trazendo uma questão polêmica para estimular a interação entre os alunos.
11 | Diane | >primeira coisa que eu queria saber de vocês antes de começar a ler o texto ((a aula)) é<(0.5).no Brasil, vocês têm (.) preocupação (.) com assalto, com(.) violência? |
12 | Kanji | tenho. |
13 | Kaori | ºtenhoº. |
14 | Diane | ((olhando para Kanji)) fala. |
15 | Kanji | eu (.) tenho. |
16 | Diane | por quê? (1.0) qual que é o maior medo que você tem? |
17 | Kanji | (0.5) medo de morrer. |
18 | ((risos na sala)) | |
19 | Kanji | é ( ) tenho. tenho medo de morrer. |
20 | Diane | mas: (0.2) por quê? |
21 | Kanji | ahn... |
22 | Diane | que tipo de coisa você acha que preocupa? |
23 | Kanji | por que anh eu ouve muitas coisa (.) muitas coisa sobre as assalto no Rio ahn nas (.) nas escolas ((seis horas)) todos dias tem programa de |
24 | Diane | ronda policial |
25 | Kanji | Isso |
26 | Ade | cidade alerta |
27 | Diane | cidade alerta. anh ahn ((concordância)) |
28 | Kanji | é. |
29 | Diane | aí tá assustado. |
30 | Kanji | ahn ahn |
31 | Diane | mas vocês acham que Juiz de Fora é uma cidade mais perigo:as |
32 | Kanji | =tranqüila. (.) tranqüila. |
Kanji novamente se auto seleciona, mas com o papel contrário do trecho anterior, agora ele responde a uma questão proposta pela professora. Ao longo do diálogo, a professora pede-o para que desenvolva suas ideias. Os lapsos temporais marcados indicam receio e /ou constrangimento do aluno em denegrir, através da sua opinião, a imagem do país da própria professora. Tanto que quando a mesma pergunta se refere a Juiz de Fora, prontamente, sem nenhum lapso temporal, com uma fala concomitante com o término do turno da professora, ele responde: ‘tranqüila, tranqüila’.
Um pouco a frente, a discussão começa a tomar um novo rumo.
52 | Yuko | é, com certeza. |
53 | Kanji | mas:: na verdade eu não conheço muito bem o sobre o Rio de Janeiro, São Paulo porque(.)) nunca n... n... |
54 | Diane | Fui |
55 | Kanji | nunca fui. |
56 | Aiko | em São Paulo ((inaudível)) ((aparentemente a. lembra Kanji. de que ele já foi a são paulo)) |
57 | Kanji | ahn, não |
58 | Diane | nunca teve assalto. |
59 | Kanji | hum hum |
60 | Diane | nunca teve |
61 | Kanji | nunca tive, nunca tive. |
Kanji arma uma estratégia de autodefesa nessa parte do diálogo. Acima, ele havia dito que tinha medo da violência que havia no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro. Neste trecho, ele deixa claro que, na verdade, não é ele quem considera o Rio violento, já que ele nunca foi até lá, mas o noticiário, isso é, ele projeta a imagem que obtém dos brasileiros através daquela divulgada pelos próprios meios de comunicação nesse país (no caso, a televisão).
A próxima transcrição trará um interessante uso para se referir ao Brasil, Juiz de Fora e a cidade de origem. O emprego dos advérbios tentam, na verdade, minimizar o tom opinativo de Kanji. Observe:
90 | ((reações por gesto indicando o chão.)) | |
91 | Kaori | aqui. |
92 | Kanji | aqui em Ju Juiz de fora. |
93 | Diane | aqui é mais perigoso? aqui é mais pe |
94 | Kaori | [qual é a pergunta, mesmo? |
95 | Diane | o que é mais perigoso? |
96 | Diane | no caso, você morava em Tóquio, né? |
97 | Kaori | ahn não, em Tóquio não. |
98 | Kanji | no caso casa |
99 | Kaori | hum hum. Ah |
100 | Diane | onde você acha mais perigoso? lá ou aqui? |
101 | Kanji | aqui. |
102 | Diane | aqui, com certeza. |
103 | Yuko | mas porque eu tenho medo é (..) porque o tipos de medo é diferente (.) o (.) vai acontecer o que eu não posso imaginar no Japão |
104 | Diane | Claro |
105 | Yuko | então (...) por isso que eu tenho medo |
106 | Kanji | e… polícia sempre tem arma polícia armado por exemplo |
107 | Diane | Aqui |
108 | Kanji | Aqui |
109 | Diane | lá não né? |
110 | Kanji | lá não. |
Ao comparar o perigo da sua cidade com Juiz de Fora, ele reitera sua visão ‘daqui’ ser mais violento do que ‘lá’ como já detectado ao longo de toda a discursão.
2.2 Tentativas mal sucedidas de interação.
Em uma sala de aula, inúmeras podem ser as interações mal sucedidas pelos alunos, os motivos são diversos e cabe um estudo microscópico de cada caso, para que assim cada um possa ser explicado diante de suas particularidades. Veremos os exemplos retirados desta aula.
Em uma sala de PLE, muitas vezes os alunos se interagem em grupos tentando esclarecer, explicar ou ajudar um ao outro a se expressar. Para essa prática em que a presença do professor é dispensada chamamos de andaime.
No trecho a seguir, Kanji tentará ajudar Yuki a se expressar a respeito do tipo de armamento do país que possuem em comum.
130 | Kanji | eu vi isso |
131 | Yuko | o tipo de arma é diferente. polícia policiais japoneses também têm, mas ah não pode shootar ah (...) eu tenho problema com este nome |
132 | Kaori | Shootar |
133 | Kanji | sem tiro = |
134 | Diane | atirar = |
135 | Yuko | Atirar |
136 | Kanji | sem tiro. sem tiro. = |
137 | Aiko | ahn? = |
138 | Kanji | não= |
139 | ||
140 | Kanji | em geral eles ahn eles fingem né, arma (.) mas (.) sem tiro. |
Neste caso, o andaime é sem êxito. Kanji, inicialmente, tenta ajudar um outro aluno no significado de um termo, contudo sua explicação não é esclarecedora e acaba invalidando a compreensão do vocábulo.
2.3 Interações semânticas
Sem dúvida alguma, o vocabulário é indispensável para que a comunicação seja bem sucedida em uma língua desconhecida. Boa parte das aulas da aquisição de uma segunda língua são baseadas na tentativa de explicar possíveis palavras desconhecidas de sua carga semântica aos alunos. Observemos um exemplo simples em que a professora tenta ‘dar nome’ (aqui entendido como também ‘dar significado’) a uma tentativa de expressão de Kanji.
115 | Aiko | ºlá nãoº |
116 | Diane | no Rio usa sempre |
117 | Aiko | ah, lá... |
118 | Kanji | quê? |
119 | Aiko | no Rio |
120 | Kaori | colete? colete? |
121 | Diane | no Rio de Janeiro |
122 | Diane | colete (.) a prova de bala ((fazendo gesto explicativo)) |
123 | Kanji | [ah , sim. . |
124 | Kaori | ((faz gesto de bala furando a barriga)) |
125 | Diane | (…) |
126 | Kanji | (…) |
127 | Diane | (vam) lá |
128 | Kanji | eu vi |
129 | Kaori | ahn? |
130 | Kanji | eu vi isso |
No final da transcrição percebemos que Kanji compreende o vocabulário ao notar que já tinha o visto antes (colete).
Nem sempre as explicações quanto ao nível semântico da palavra se referem apenas há um único termo, muitas vezes podem ser expressões, gírias, ditados populares. Observe esse outro trecho em que a professora questiona os alunos a respeito de uma expressão típica da oralidade comum.
272 | Diane | é isso aí! agora sim! agora sim ficou animado o negócio. tá melhorando o negócio. “eu acho que estão abrindo a janela”! aí tem uma expressão interessante: “vai que é um ladrão”! esse vai, quê que ele ta fazendo aí? |
273 | Kanji | será? |
274 | Diane | será que é um ladrão? quer dizer, pode ser que seja um ladrão. mas a tradução mais jó, mais perfeita pra isso aí é: e ser for um ladrão. entendem? e se for um ladrão ((levanta-se e escreve no quadro)) assim. esse tempo verbal a gente vai ver depois. eu acho que a gente vai ver no segundo semestre, Laís. eu to achando que eu vou ficar de plantão aqui no segundo semestre também. vocês não vão perder a professora não. nada vai mudar. então aí tem “vai que é um ladrão”. né? é uma hipótese. aí o nosso amigo acordou. “é?”, né? aí ele já está com medo. “eu vou lá embaixo pra ver. dê um tempo aqui” todo mundo sabe o que é isso? dá um tempo todo mundo já ouviu, né? Júnior? |
È interessante notar que o significado da expressão “vai que” pode ser inferido até pelo próprio texto que dar indícios ao seu sentido. Kanji se auto seleciona e responde a pergunta da professora, relacionando o significado de ‘vai que’ com um verbo mais comum e usado tanto na fala quanto na escrita que é o verbo ser.
Também ocorre casos em que uma expressão pode ser confundida com outra extremamente próxima, observemos esse exemplo registrado nessa parte da conversa.
432 | Diane | é uma expressão meio estranha né? que aliás em português é meio complicado. a expressão “durma em paz”, “durma em paz” eu já acho que a gente não usa muito não porque ela lembra muito a expressão da morte. |
433 | Donald | frase “peace sleeping” is different. |
434 | Diane | diferente. porque a gente usa “dormir” no sentido de “morrer”. |
435 | Roy | descansar em paz. |
436 | Diane | “descanse em paz” ninguém fala! |
437 | Donald | |
438 | Diane | descanse em paz” em português a gente não vai usar! |
439 | Donald | |
440 | Diane | descanse em paz” em português é “morra”! é horrível! horrível! então durma em paz” ainda pode usar... |
441 | Aiko | tranqüilo? |
442 | Diane | durma tranqüilo, fica tranqüilo, né? |
443 | Kanji | ((comenta algo com Kaori)) |
444 | Diane | oi? |
445 | Kanji | encontre em paz. |
446 | Diane | encontre em paz? |
447 | Kanji | alguém, alguém morrer encontre em paz. |
448 | Diane | encontre a paz. |
449 | Kanji | a paz. |
4450 | Diane | encontrar é ir até o lugar. é, localizar, né? é meio diferente de dormir. então “encontre a paz”. aqui a expressão “não tem ladrão coisa nenhuma”. esse “coisa nenhuma” dependendo de quem está falando é substituído por outro palavrão. tá certo? é, os rapazes às vezes vão usar, vocês eu acho que não devem, acho que não fica bom, palavrão em língua estrangeira é uma coisa esquisita de usar, né? não funciona bem! palavrão é bom na nossa língua. concorda? |
Neste trecho, Kanj associa a expressão em questão com outra que ele provavelmente já tenha escutado. No caso, “descanse em paz” com “encontre a paz”. As duas apresentam um significado diferente mas que se relacionam. Descanse em paz é uma forma de si referir a morte enquanto encontre a paz é um sentimento religioso para que o morto faça a ‘passagem’ vida-morte da melhor forma possível. A professora recorre ao texto como tentativa de explicar a Kanji a diferença entre essas expressões.
Tratamos mais de um elemento estilístico do que necessariamente uma interpretação semântica. Todavia, as relações estilísticas só são perceptíveis quando entende o que o autor pretendeu dizer empregando tais palavras. Por isso, enquadramos o próximo corpus ainda nessa perspectiva.
536 | Diane | é lógico. tem sentido de abandonar. certo? aí você vai ouvir por exemplo é “o marido largou a mulher” no sentido de que ele não está mais casado com ela. né. “abandonou a mulher.” então vocês vão ouvir “alguém largou do marido”, né? é, e expressões relacionadas a sentimento, relacionamento, aparece muito. né? então aqui tem muito né? “largou tudo aberto! assim você facilita bastante a vida do ladrão, né?” |
537 | Kanji | ironia. |
538 | Diane | oi? |
539 | Kanji | ironia. |
540 | Diane | ironia. exatamente! a maior ironia! aí vem esse “xiiii” que vocês devem ter ouvido muito, né? “xiiii”. |
Assim, percebemos que, Kanji além de conhecer as expressões idiomáticas, consegue interpretá-las quanto as suas cargas estilísticas, ao relacionar uma frase imediatamente com a sua figura de linguagem, a ironia.
2.4 Produções narrativas orais
Inicialmente vejamos o que é dito sobre o processo de produção narrativa na fala por Broncrart.
“... Segundo o autor (Ricoeur), que se apoia na filosofia de Agostinho, assim como na de Heidegger, o ser humano, em seu mundo vivido, confronta-se com a preocupação existencial e, em particular com as aporias do tempo. Graças a seus pré-conhecimentos, ele precebe, certamente, alguns dos traços estruturais das ações nas quais está engajado, identifica alguns aspectos das mediações simbólico-sociais em que se baseiam, assim como, enfim, acede a alguns aspectos da dimensão temporal da ação.Mas essas representações são heterogêneas, discordantes, ou ainda, não racionais. Baseando-se, então, na concepção aristotélica de mimesis, Ricoeur sustenta que a elaboração de estruturas narrativas pode ser interpretada como um trabalho que visa a superar esses estado de discordância, buscando compreender o munco, propondo sua re-figuração ou esquematização. A narração propõe um mundo ficcional em que agentes, motivos, etc. são colocados em cena, de modo que formem uma estrutura harmônica...”
A produção do gênero narrativo na fala é uma tentativa, portanto, de sistematizar as informações e as vivencias pessoais. Portanto entre os gêneros conhecidos é o mais usado, mesmo que mentalmente, para simplificar as efemeridades e julgar portanto o que é de real valor para nós.
Trabalhar essa habilidade na sala de aula de PLE é fundamental tanto quanto indispensável. A professora ministra a tentativa de empregar o discurso narrativo na voz dos alunos pedindo que eles recontem o episodio lido no texto. Vejamos como Kanji refaz a sua leitura do texto.
642 | Diane | ótimo! muito bom! vamos lá! de cá! |
643 | Kanji | esposa ouviu um barulho? de alguma pessoa andando lá embaixo e ahn a esposa acordô, a esposa deixou acordar seu marido. |
644 | Diane | deixou acordar? acordou seu marido. |
645 | Kanji | deixo, acordô??? |
646 | Diane | quê isso? ((Donald está se levantando) |
647 | hhhhh (( Donald sai da sala)) | |
648 | Kanji | não poderia ser acordar? a esposa deixou acordar? não? esposa ... |
649 | Diane | acordou o marido dela. |
650 | Kanji | acordou o marido... ah. |
651 | Diane | ela acordou o marido. |
652 | Kanji | esposa acordou o marido. |
653 | Diane | hum, hum! |
654 | Kanji | e para para ver para ver o que está acontecendo embaixo e ele foi... |
655 | Diane | isso! |
656 | Kanji | para baixo muito devagar. |
657 | Diane | hum, hum! |
658 | Kanji | e mas e ele hum filha dele tá fechando a janela porque esposa deixa... |
659 | Diane | hum, hum! |
660 | Kanji | porque a esposa esqueceu tinha esquecido de fechar... |
661 | Diane | hum, hum! |
662 | Kanji | Kanji ... e ele fiquê assustado... |
663 | Diane | ficou. |
664 | Kanji | ele ficou assustado... |
665 | Diane | hum, hum! |
666 | Kanji | e porque filha, filha tá tomando conta da casa. |
667 | Diane | da casa. |
668 | Kanji | é. |
669 | Diane | hum, hum! |
670 | Kanji | e é ele foi dormi. |
Os fenômenos que ocorrem nessa produção são muito interessantes, já que a intervenção da professora é quase mínima, permitindo assim que ele possa explorar mais sua capacidade comunicativa.
- Kanji faz vários reparos durante a sua fala, na maioria de nível morfológico, em especial para adequar a oração ao pretérito perfeito: objetivo da aula em análise. (esqueceu, fiquê, acordou)
- A repetição dos reparos feitos pela professora mostra que, naquele ambiente, Kanji não sofre de nenhum constrangimento ao sofrer o reparo e que a professora não usa de nenhum artifício estilísco para fazê-lo, já que, o meio e o contexto permitem que a reparação ocorra como produto do aprendizado, sem denegrir a imagem do ‘reparado’.
- Como a fala está centrado no emprego dos verbos, não são usados quase nenhum conectivos entre os períodos exceto o de adição (e) e o de explicação (por que).
3. Conclusão
Todas as hipóteses levantadas inicialmente configuraram-se como validas para o tratamento do corpus analisado. Entretanto tantas outras características poderiam ser acrescidas as vistas primeiramente. Como as habilidades linguísticas semânticas e estilísticas de Kanji, sua atenção e concentração durante boa parte dos turnos na sala de aula etc.
São pois essas características todas relacionadas a competência comunicativa típica desse aluno interessado em aprender e disposto a trocar informações tanto a respeito da nova língua quanto da sua bagagem cultural trazida de seu país de origem.
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